Faltam quase dois anos para o pleito, mas o processo eleitoral já avançou bem além do estágio de preparação técnica. O desgaste político vivido após as eleições municipais de 2024, somado à incerteza jurídica que envolve figuras como Jair Bolsonaro, fez com que partidos acelerassem as articulações.

O ex-presidente Bolsonaro segue inelegível até 2030 por conta de condenações, embora haja estratégias eleitorais em curso para manter sua influência caso possa registrar a candidatura. Apesar disso, governadores e parlamentares da direita se movimentam em busca de nomes alternativos que agradem também ao eleitor de centro.

Os nomes que despontam à direita e centro-direita

Tarcísio de Freitas (Republicanos–SP)

O atual governador de São Paulo é um nome forte na avaliação interna da direita. Mantém bons índices de aprovação no maior eleitorado do país e transita entre o bolsonarismo e o eleitorado de centro.

Mesmo com resistência inicial, muitos analistas avaliam que Tarcísio tem condições de consolidar uma candidatura forte, caso Bolsonaro permaneça inelegível. Entretanto, ele ainda precisa decidir se vai abrir mão da reeleição em São Paulo.

Ronaldo Caiado (União Brasil–GO)

Governador de Goiás e articulador conservador, Caiado já anunciou que sua pré-candidatura será lançada em março, reforçando sua atuação como alternativa à direita. Tem trânsito político e apoio de caciques partidários como Ciro Nogueira.

Outros nomes na direita

São citados Romeu Zema (Novo–MG), Ratinho Junior (PSD–PR) e Eduardo Leite (PSDB–RS), líderes estaduais que emergiram após vitórias municipais e pesquisas internas. Todos buscam consolidar identidade política independente de Bolsonaro e mapear cenários eleitorais.

O papel de Bolsonaro e os herdeiros do bolsonarismo

Embora impedido de concorrer, Bolsonaro segue sendo influência presente. Em depoimentos à imprensa, chegou a afirmar que pretende ser candidato, o que gera desconfiança sobre tática para registrar candidatura e ser substituído depois.

Nesse sentido, Eduardo e Michelle Bolsonaro estão sendo tratados como possíveis “candidatos-tampão” ou vice na eventual candidatura do pai.

A aposta da esquerda: Lula ou herdeiros

No campo progressista, o Partido dos Trabalhadores (PT) centraliza esforços em torno do presidente Lula. A possibilidade de se recandidatar em 2026 ainda está sendo avaliada, embora aliados afirmem que a polarização favoreça sua permanência.

Ao mesmo tempo, nomes como Fernando Haddad, Camilo Santana e Wellington Dias são mencionados como opções caso Lula opte por desistir. Além disso, o PT busca consolidar alianças com MDB, PSD e União Brasil para ampliar força na campanha.

E a terceira via?

A terceira via segue fragmentada. Candidatos como Ciro Gomes (PDT) e lideranças do MDB e PSDB ainda não ganharam tração suficiente para consolidar uma alternativa competitiva. Enquanto isso, federações partidárias tentam aliar forças e garantir acesso a fundo eleitoral.

O desafio da unidade na direita

Especialistas destacam que manter a coesão da direita será um dos maiores desafios da eleição. Com Bolsonaro fora, lideranças regionais precisam unir forças para evitar que nomes como Caiado, Tarcísio e Zema disputem em separado, dividindo votos e beneficiando o PT.

O deputado Hugo Motta, da base de apoio, afirma que o cenário pode se repetir em 2026, com Bolsonaro se mantendo como figura principal, ou com Tarcísio surgindo como sucessor caso o ex-presidente não concorra.

O que dizem as pesquisas

Levantamentos de Ipec, Paraná Pesquisas e outros institutos revelam Lula com cerca de 30–34% e Bolsonaro entre 27–38%, em cenários estimados. Tarcísio aparece com cerca de 11–13%, seguido por Gusttavo Lima e Pablo Marçal com 10–12% cada.

Esses dados mostram a força ainda polarizada da eleição, com chance de consolidação de um candidato forte à direita, caso consiga evitar múltiplas candidaturas.

O que pode definir 2026

  • Unidade ou divisão da direita: maioria da avaliação é de que sem Bolsonaro, será possível concentrar apoio em única candidatura de direita.
  • Decisão de Lula: se optar pela reeleição, pode manter vantagem, mas também atrair críticas sobre continuidade.
  • Desempenho econômico: candidatos adversários têm usado inflação, desemprego e questões fiscais como trunfos; Lula pode sentir efeitos disso.
  • Surpresa de outsider: nomes como Pablo Marçal e Gusttavo Lima — que já testaram força em eleições regionais — continuam sendo observados como alternativas disruptivas.

Conclusão

A preparação para 2026 já está em curso. Com indefinição sobre Bolsonaro e articulações em curso à direita, a corrida presidencial pode ser decidida entre herdeiros da polarização e surgimento de um nome outsider. Lula segue consolidado na esquerda, mas a decisão sobre sua candidatura será crucial para o desfecho da disputa.

As próximas movimentações partidárias e decisões judiciais podem definir quem terá apoio do eleitor moderado — e quão fragmentado será o campo conservador.

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